sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Acari

A vedete catingueira do Seridó

REGIÃO DO SERIDÓ
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Igreja matriz de Nossa Senhora da Guia.

Quando o carro aponta no alto do quilômetro duzentos da BR 407, depara-se com Acari, uma típica cidade seridoense encravada nas encostas ocidentais da Chapada Borborema.

Considerada a cidade mais asseada do Brasil, Acari é uma das mais antigas cidades seridoenses e carrega a cultura de seu povo entranhada em cada recanto de suas casas coloniais, onde são cultuados os costumes do sertão.

A tradição de ornar a cidade, feita uma vedete do teatro de revista, vem do tempo do império, quando foi criado uma resolução obrigando a população limpar as frentes de suas casas, durante as festas do município, sob pena de pagar duzentos réis para as despesas da Câmara Municipal cada vez que faltasse a limpeza.

Com o tempo, a obrigação tornou-se consciência dos acarienses que se orgulham em morar na “cidade mais limpa do Brasil”.
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Origens acarienses
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Acari é nome de um peixe ligeiro que corre em água doce, de escamas ásperas com um palmo de comprimento, muito semelhante ao bagre. A farta presença do peixe nas águas do Rio Acauã atraiu os índios Cariris, os primeiros habitantes, que deram nome ao lugar.

De acordo com o escritor Manoel Dantas, no livro “Homens de Outrora” (Irmãos Pogetti Editora, RJ 1941), a palavra Acari é de origem Tupi, vem de “caraí”, aquele que arranha, alusão as asperezas do peixe.

No início do século XVIII, quando começou a colonização do Seridó com a expansão das fazendas de gado, o sargento-mor Manuel Esteve de Andrade fundou um povoado, erguendo uma Capela na localidade consagrada a Nossa Senhora da Guia, que se tornou a matriz da cidade algum tempo depois.

No ano da graça de 1835, o povoado desmembrou-se de Caicó e tornou-se a mais nova cidade do Rio Grande do Norte.

Conjunto histórico e arquitetônico

Igreja de Nossa Senhora do Rosário.

A cidade oferece um importante acervo religioso e arquitetônico do do início do século XVIII a ser visitado. Nessa época, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário foi erguida com característica barroca.

Uma preciosidade religiosa e a primeira igreja a ser edificada na região. Batizada de Nossa Senhora dos Pretos do Rosário, uma de suas principais características é o retábulo todo em fios dourados, com florais, cestarias e curvas.

Complementando o sítio religioso está a Matriz de Nossa Senhora da Guia, que é uma das maiores do Estado e que apresenta um estilo eclético, reunindo ao lado do romantismo, o barroco e o rococó.

A matriz foi edificada em 1863 e idealizada pelo primeiro pároco da cidade, o acariense Thomaz Araújo. Os sobrados do Padre Modesto, a Capela de Nossa Senhora de Lurdes e as casa da Vila Dona Mariana completam o roteiro pela arquitetura do município.

Museu do Sertanejo.

O Museu do Sertanejo é outro exemplo do acervo arquitetônico colonial acariense. O casarão guarda o estilo característico do segundo reinado, quando foi construído para ser o prédio da Cadeia e Intendência.

Em estilo neoclássico, o Museu do Sertanejo preserva no seu interior verdadeiras relíquias, o que há de mais expressivo na cultura sertaneja nordestina, reunindo peças que contam a história das duas antigas fontes econômicas do município: a criação de gado e o cultivo do algodão.

Dentro do casarão do Museu do Sertanejo também acontecem eventos culturais, como lançamento de obras literárias, exposições temporárias, o Auto de Natal, o pastoril, o coral infantil e oficinas educativas.

O espaço interno foi cuidadosamente reformado para passar ao visitante a impressão de estar participando do dia-a-dia do sertanejo nordestino. A Igreja do Rosário, a Matriz de Nossa Senhora da Guia e o Museu do Sertanejo foram tombados pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 1964.

A beleza exuberante do Açude Gargalheiras

Visão panorâmica do Açude Gargalheiras.

Durante milhões de anos, a natureza espremeu os serrotes formando uma garganta afunilada num estreito vale, onde desemboca o Rio Acauã. A mão do homem represou o rio e formou a enorme barragem Marechal Dutra, mais conhecido como Açude Gargalheiras, um dos principais pontos turísticos dos roteiros turísticos que levam ao Seridó e um dos mais belos cartões postais do Rio Grande do Norte.

Com capacidade para armazenar 40 milhões de metros cúbicos d’água, o Açude Gargalheiras é o mais tradicional açude do Estado, atraindo milhares de turistas para Acari que desejam apreciar o espetáculo da queda d’água na parede do açude quando está sangrando.

Com suas águas limpas, a barragem ainda oferece banhos sem fim em águas mansas, além de peixe e camarão para uma degustação sem pressa enquanto se delicia com a paisagem única.

Com 654 metros de altura, A Serra Bico da Arara atrai turistas aventureiros para observar a revoada de milhares de andorinhas migratórias vindas da África, de março a setembro de cada ano.

Outros pontos turísticos, como as serras do Pai Pedro e da Lagoa Seca, também fazem parte do roteiro, assim como as formações rochosas naturais que brincam com a imaginação do visitante, como as pedras da Santa, do Avião e do Sapateiro.

No Poço do Arthur, são encontradas inscrições rupestres de tradição Agreste, datadas de dez mil anos.
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Pega de Boi no Mato
Resgatando uma Tradição Seridoense

Vaqueiros seridoenses e suas armaduras de couro.

O mês de novembro marca o início da temporada sem chuva no sertão, onde a terra esturricada pela seca é cenário para uma das mais tradicionais manifestações nordestina: a “Pega do Boi no Mato”, quase esquecida pela modernidade.

Pensando em preservar a memória do sertanejo, valorizando a figura do vaqueiro, a Fazenda Pitombeira, em Acari, realiza todo ano a “Pega de Boi no Mato”, o “Encontro dos Vaqueiros da Ribeira do Acari” e a “Missa do Vaqueiro”.

Tecendo comentários sobre a Pega de Boi no Mato, Câmara Cascudo escreveu no livro Vaqueiros e Cantadores: “Prova legítima de habilidade e força, torneio sagrador de famas, motivo de cantadores que imortalizaram a façanha”.

A religiosidade forte do sertanejo está presente na “Missa do Vaqueiro”, celebrada no Sítio Bico da Arara, nas cercanias de Acari. Na hora do ofertório, os vaqueiros fazem doações de peças usadas como gibão, esporas, matulão, cela, chapéu, arreios e outros apetrechos pessoais para o Museu do Vaqueiro da Ribeira do Acari.

O momento lúdico do evento é quando os vaqueiros entoam seus aboios, ecoando nas caatingas seridoenses um canto de lamento e bravura.

Artistas do Gargalheiras

O santeiro e escultor Ambrósio.

Além do tradicional artesanato feito de renda, tapeçaria e bordado, Acari tem grandes artistas plásticos, criando peças únicas que saltam os olhos dos marchantes atentos e colecionadores de arte.

O santeiro Ambrósio trabalha a madeira onde Nossa Senhora de Santana é esculpida em todos os detalhes, como se seus pecados fossem redimidos pela santa. Ambrósio também reforma móveis coloniais, oratórios barrocos e outros santos.

Dimauri e suas esculturas em ferro.

Juntando sucatas e metais velhos, o ferreiro Dimauri transforma o ferro retorcido em esculturas expressionistas, apresentando imagens do sertão em sua arte. No seu atelier, o visitante pode apreciar esculturas de ferro mostrando as cenas do cotidiano sertanejo.

Um carro de boi carregando um agricultor e uma criança, um vaqueiro derrubando o boi no meio da caatinga ou uma família reunida em torno da mesa de jantar, entre outras peças, fazem do atelier de Dimauri uma visita obrigatória.

Dimas, na beira do Açude Gargalheiras, com sua escultura em pedra.

Transformando rochas em arte, o escultor Dimas Ferreira trabalha as margens do Açude Gargalheiras, onde encontra a pedra bruta de granito para suas esculturas.

Nascido e criado em Acari, Dimas aprendeu a fazer sua arte quando trabalhava como “quebrador de pedras” para fazer paralelepípedos. “Um dia vi uma pedra que dava para fazer uma cabeça de gente. Fiz e deu certo”, confessa.

Em junho de 2006, Dimas Ferreira ganhou o Prêmio Cultural Diário de Natal, recebendo o troféu “O Poti” no palco do Teatro Alberto Maranhão, em Natal, pelo reconhecimento de sua obra.

Dimas é um autodidata. Há 16 anos no ofício, ele nunca tinha visto ninguém esculpir peças em outros materiais. Por sua atividade incomum, o artista é obrigado a confeccionar suas próprias ferramentas de trabalho. Com base no formato que tem a pedra, Dimas vai esculpindo o granito, buscando formas de animais ou pessoas.

Em outubro do ano passado, Dimas levou um São Francisco das Chagas esculpido na rocha bruta do Gargalheiras para Brasília, a convite do senador Garibaldi Filho, a fim de participar da terceira edição da exposição “Artistas Brasileiros – Novos Talentos”, no Salão Negro do Congresso Nacional.

A exibição contou com esculturas de artistas de todas as regiões brasileiras, indicados pelos parlamentares de seus respectivos Estados.

Açude Gargalheiras.

Conjunto arquitetônico histórico de Acari.

Pega de boi na caatinga, na Fazenda Pitombeira.

Casas históricas e a "lotação", meio de transporte para sítios e cidades vizinhas.

4 comentários:

ro disse...

Olá amigos:
Sei que Acari é famosa pelas esculturas de santos em madeira. Vocês teriam o contato de Ambrósio santeiro e de outros?
Obrigada e parabés pelos talentos!
Roseli

lucia silva disse...

oi..
gostaria que vcs me passasem o contato com ambrosio santeiro.
lucinete-silva@hotmail.com
tel-84-3421-2100 ou 84-8749-2639

QUEMQUERCARRO.COM disse...

Gostaria de Saber o contato de Sr. Dimauri, que faz as esculturas de ferro.
qualquer contato enviar para luizsergio_@hotmail.com.

QUEMQUERCARRO.COM disse...

GOSTARIA DO CONTATO DO SR. DIMAURI, QUE FAZ AS ESCULTURAS DE FERRO.
QUALQUER CONTATO ENVIAR PARA O E-MAIL luizsergio_@hotmail.com.