segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Martins

Um passeio histórico pelas quebradas da serra
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REGIÃO OESTE
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Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição. No ano de 1815, José Antônio de Lemos requereu licença ao Bispo de Olinda para construir uma nova igreja destinada ao culto de N. S. da Conceição.

Martins não é cidade de beira de estrada. Para conhecer a cidade, o visitante tem que percorrer os caminhos tortuosos com seus despenhadeiros que levam a chã da serra, onde um vento ligeiro e constante cria uma atmosfera invernosa. Com seu clima aprazível, margeando 18ºC constantemente, Martins só é comparada com algumas estâncias famosas pelas belezas naturais serranas como Campos de Jordão, Gramado ou Teresópolis.

Em pleno inverno, a cidade se enche de gente em busca das vantagens da serra fria, cuja temperatura atinge abaixo dos 15ºC. Na primeira quinzena de julho, um “Festival Gastronômico e Cultural” é realizado, atraindo milhares de pessoas que se embrenham na serra querendo saborear as delícias quentes entre os melhores restaurantes de cozinha internacional com seus chefs importados.

No restante do ano, a atmosfera tranqüila de uma típica cidade do interior norte-riograndense oferece um lugar ideal para descansar e curtir uma natureza exuberante. A 750 metros de altura, os mirantes do Canto e da Carranca oferecem uma visão panorâmica, onde pode ser observado o conjunto de serras que forma a Chapada da Borborema, a Serra do Lima (em Patu), entre outras serras e serrotes.

Ao entardecer, quando as primeiras luzes avisam que o sertanejo se prepara para dormir, os mirantes proporcionam a contemplação de dezenas de cidades na soleira da serra. Porque é preciso festejar o pôr-do-sol com a visão privilegiada do alto da serra é que uma garrafa de vinho e fondues de carne e queijo são servidos nos restaurantes dos mirantes a preços nada módicos.

Localizada numa região serrana do Médio Oeste Potiguar, o município de Martins está a 370 quilômetros da capital do Estado. A cidade proporciona atrações permanentes como passeios eco-turísticos pela serra que são oferecidos aos visitantes com guias especializados levando os grupos por trilhas onde a fauna e a flora da região são observadas.

Em junho, a cidade se ornamenta para celebrar os festejos juninos, onde não falta animação, fogueira, fogos de artifício e comida típica da época. Quando chega dezembro, o povo festeja a padroeira, Nossa Senhora da Conceição, comemorada com muita fé e religiosidade.
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O rico conjunto arquitetônico da serra

O Sobrado foi construído no ano de 1871 e funcionam o Museu de Arqueologia e o Museu Histórico.

O centro da cidade com seus casarios do início do século passado é um convite para mergulhar na rica história do município. A construção mais antiga da cidade é a Capela da Nossa Senhora do Rosário, na Rua da Maioridade. Foi erguida em 1758, nos primórdios do povoado.

Com o chão charmosamente desenhado por bandeirolas de São João, a Praça Almino Afonso abriga a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, datada de 1815, um dos símbolos da religiosidade da cidade. Ao contrário da capela, que tem interior bastante simples, a Matriz apresenta estilo gótico com seus altares abrigando imagens de madeira em estilo barroco.

O Nicho é uma pequena capela barroca que abriga a estátua de Nossa Senhora do Livramento, construída pelo cidadão Luiz Ferreira de Melo, no tempo da guerra do Paraguai, em pagamento de uma promessa pela santa ter livrado os seus netos do recrutamento forçado.

O centro de Martins concentra um sítio arquitetônico que merece atenção. Construído em 1871 para ser a residência do senador abolicionista Almino Afonso, o sobrado do Pax, com seus dois andares e varandas de ferro trabalhado, durante muito tempo foi usado como orfanato e escola.

Atualmente, o sobrado abriga os museus de Arqueologia e de História, guardando exemplares de minerais e fósseis encontrados pela região, além de fotos antigas, objetos raros e documentos que contam a história de Martins.

Pela sua importância histórica e cultural, é necessário visitar o educandário mais antigo da cidade, onde estudou os filhos ilustres dessas serras. A Escola Estadual Almino Afonso abriga, em sua biblioteca, um acervo com mais de mil livros, destacando-se edições de luxo, em formato gigante, de “O Inferno”, de Dante; “Orlando Furioso”, de Ariosto; e “Os Lusíadas”, de Camões. Todos com ilustrações de Gustavo Doré.

A edição de Os Lusíadas é preciosíssima pelo seu valor histórico. Sua tiragem limitada foi dedicada ao imperador Dom Pedro II, pelo editor português Emílio Biel.
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O rosto de Cristo e a Casa de Pedras

O que mais chama a atenção é a silhueta de um perfil que se assemelha ao rosto de Cristo, como se estivesse com as mãos postas levantadas à ponta do queixo.

Quem vem subindo a encosta da Serra de Martins logo se depara com a “Pedra Rajada”, um imenso lajedo que se tornou um dos símbolos da região. A Pedra Rajada tem essa denominação por causa dos grandes sulcos deixados pelas águas das chuvas. Algumas dessas manchas formam estranhos desenhos.

“O que mais chama a atenção é a silhueta de um perfil que se assemelha ao rosto de Cristo, como se estivesse com as mãos postas levantadas à ponta do queixo, elevando ligeiramente a cabeça, como num gesto de oração ao Pai. Pode ser vista do lado esquerdo de quem sobe a serra”, escreveu o historiador Marcelino Junior, no seu sítio na internet (http://www.martins-rn.com.br/).

Situada no pé da serra, dentro das terras da Fazenda Trincheiras, a “Casa de Pedras” é formadas por rochas antigas que foram cristalizadas por um afloramento marítimo de calcário, do período pré-cambriano. Com 110 metros de comprimento, a grande caverna tem o curioso formato de uma casa, com salão principal, salas e corredores.

A 27 km de Martins, a Casa de Pedras foi catalogada pela Sociedade Brasileira de Cavidades Naturais como a segunda maior caverna em mármore do País. Dentro do salão principal da Casa de Pedra pode ser observado um requintado conjunto de estalactites e estalagmites, formados por pingos d’água a milhões de anos. Nessa sala, o teto alcança mais de 10 metros e dele pode ser vista uma grande estalagmite no centro.

Por ser uma casa natural e abrigo contra bichos, a Casa de Pedra foi moradia dos antigos habitantes da região. Cerca de 5 mil peças arqueológicas foram coletadas dentro e nos arredores da gruta, através das equipes de pesquisadores. Inclusive, uma ossada humana. Todas as peças fazem parte do acervo do Museu Arqueológico de Martins e podem ser visitadas.

Pessoas ilustres, como o cientista Adolf Lutz, já visitaram a Casa de Pedras. Os escritores Câmara Cascudo e Henrique Castriciano também fizeram suas incursões através dos salões de pedras da casa. O lugar é tão importante para a historiografia local que há até projetos para fazer uma ligação com a serra de Martins através de um teleférico, passando pela Pedra do Sapo e a Pedra Rajada.
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A pré-história martinense

Júnior Marcelino e seus fósseis pré-históricos encontrados na região de Martins.

Aberto a visitação pública, o acervo de fósseis de animais pré-históricos do pesquisador Júnior Marcelino é considerado um dos principais do Estado, sendo inclusive usado como referência para estudos paleontológicos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Na residência-museu existem dezenas de fósseis, todos eles coletados em Martins, dentre os quais podem ser encontrados fósseis de mastodonte (ancestral do elefante), megatério (preguiça gigante), gliptodonte (ancestral do tatu, do tamanho de um fusca), além de alguns dentes de um equídeo, ancestral do cavalo.

De acordo com Júnior Marcelino, as datas dos fósseis não são precisadas, até por que não existe estudo sobre isso. Porém, uma análise feita por ele, juntamente com alguns pesquisadores, concluiu que a maioria dos fósseis tem aproximadamente 14 mil anos.

A Casa de Pedra localiza-se num pequeno vale da Fazenda Trincheira, sendo a cristalização mais antiga de um afloramento marítimo de calcário, do período pré-cambriano. Sala espaçosa com o teto alcançando mais de 10 metros e dele pendem várias "estalactites" havendo no centro do salão maior uma grande "estalagmite".

Casa de Agá Fernandes. Construída no século passado, a "Casa de Dona Agá” como é conhecida, passou de geração a geração.

Mirante do Canto - Podem ser vistas as cidades de Umarizal, Patu, Lucrécia, Almino Afonso, Frutuoso Gomes, e muitas comunidades rurais do município, como também algumas cidades da Paraíba.

Mirante da Carranca - Atrai turistas e o povo em geral por ser um recanto que oferece um panorama natural dos mais belos.

Chalé dos Ingás - Paisagem tipicamente européia à margem da lagoa que deu origem à cidade, com suas lendas e mistérios.

Capela de Nossa Senhora do Rosário. Sobre a origem da Capela conta-se que, a mulher do Capitão Francisco Martins Roriz (fundador da cidade), Micaela, perdera-se na mata. Desesperado, o Capitão uma promessa: mandaria erguer uma capela em louvor à Virgem do Rosário, onde quer que encontrasse sua esposa.

Figuras rupestres encontrada na serra.

Em várias casa da cidade é possível perceber a devoção da população com os vários oratórios em frente as casas.

Colégio Almino Afonso, educandário mais antigo da cidade conserva todos os detalhes da sua fachada. Destaque especial o Museu Cultural Cel. Demétrio Lemos, doador de todo o seu acervo, formado por uma coleção de estatuetas em Art Nouveau.

Rua que deu origem a Martins, chamada antes de Rua das Pedras e hoje Rua da Maioridade, em homenagem à maioridade de D. Pedro II. A rua completou 251 anos em abril de 2009.

4 comentários:

Guará Matos disse...

Senasácopnal!
Essa é a única expressão que posso usar diante de beleza tão grande.
Abraços.

Mai disse...

Alex, você consegue me apresentar tesouros, praticamente intocados. E hoje eu te aplaudo de pé.

Divulgas as belezas desse chão Potyguar e nos instruis com uma documentação histórica de alto valor.

Abraços e obrigada por mais este documentário.

Claudiomar disse...

amanhã estarei postando Martins no meu blog: http://oultimodosmoicanos-claudiomar.blogspot.com/

FENIX disse...

Sem dúvida alguma, uma das mais belas cidades do RN! Tenho muita admiração por Martins, mesmo nunca a tendo conhecido in loco. Com certeza, um dia a conhecerei e, quem sabe, não seja minha morada! Parabéns a todos martinenses! Voc~es foram agraciados pelo Criador com uma cidade que enche de beleza nosso estado e nossas almas de prazer com a suavidade dos zéfiros que podem nos renovar...